Nosso cabelo não é moda, é IDENTIDADE

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Elas cansaram de alisar o cabelo, eles não querem mais cortá-lo…

Poucas pessoas percebem ou não veem o preconceito capitalar que é vivo em nossa sociedade, principalmente para aqueles que se reconhecem como negros e querem ter seus “cabelos vivos”.

Não é fácil ver uma garota chorando porque foi abordada por alguém no ônibus perguntando se ela não tem pente em casa!

Não é fácil a sua família lhe questionar o porquê de você não alisar o cabelo!

Não é fácil está caminhando no parque e alguém lhe abordar perguntando o porquê de não cortar o cabelo e, ainda questionar se é por falta de dinheiro e dizer que o seu cabelo lhe deixa com “aparência de marginal”!!!!

Parece até algo absurdo de se acreditar, não é? Mas este tipo de comportamento existe e persiste.

Somos um país constituído de miscigenação de etnias, e dos mais diversos traços culturais e biótipos! Essa é nossa maior característica como nação.

Entretanto muitos parâmentos de beleza, em nosso país latino americano, estão baseados em um olhar europeu em que ainda e, na maioria das vezes, o reproduzimos com se fossem valores da nossa sociedade.

A beleza é viva e única, cada pessoa tem sua forma de perceber o que é belo, e mais ainda de manifestar o seu belo.

Cabelos lisos!!! Isso mesmo, cabelos lisos! Esse foi o padrão de cabelo que reinou no Brasil por muito tempo, e que ainda tenta prevalecer, isso para mulheres, independente da sua etnia.

Para os homens o “modelo certo de cabelo” é o cortado e bem alinhado, se sair fora disso é visto como algo errado, principalmente se for um cabelo com tranças ou bem black power.

Entoada na voz de uma das maiores cantoras do Brasil – “A carne” de Elza Soares é uma música de protesto social contra as mazelas vivênciadas pela população negra. Em um dos trechos ela revela esse aspecto voltado para o cabelo.

“E esse país vai deixando todo mundo preto, e o cabelo esticado.” – Elza Soares

Porém, está ocorrendo uma reversão da “visão européia”, ainda de maneira “deturpada”, pois, algo que agora está em alta e tido como modismo, é a “onda” de cabelos crespos e cacheados, sendo utilizado como um empoderamento, porém tal “afirmação” é utilizada como arma no mercado industrial, na comercialização crescente de produtos para os encrespados, tornando assim essa valorização do “empoderamento capilar” – visível, vendível e vendido. 

Sinto a necessidade de afirmar e reafirmar que cabelos crespos ou cacheados não é moda, é identidade.

Não deve existir padrões para cabelos, porque eles são e fazem parte de quem somos…

Seja seu cabelo crespo ou cacheado, curto ou longo, alto ou caído, preto ou azul, use-o! Tenha ele como coroa, não dê ouvido a uma sociedade que negligência sua natureza miscigenada.

Empodere-se, enrole-se, encrespe-se ou chachea-se não por causa de modismo.

Não vamos dar voz e poder a indústria da moda para que nos diga como temos que ser… Seja autêntico, seja você por você!

Dizer não ao alisamento ou a tesoura e, mais ainda a padrões impostos é: dizer sim a sua identidade, a viver sua diferença, e reconhecer aquilo que lhe torna único, reafirmando quem você é! Então vamos gritar para toda sociedade preconceituosa e para a indústria da moda que:

Nosso cabelo não é moda, nosso cabelo é identidade.

Geovane Pereira

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Geovane Pereira
Ser humano acima de qualquer coisa, jornalista em formação, comunicação é minha vida! Sou apaixonado por fotografia, viagens e culturas. Me declaro negro. Filho do sertão pernambucano porém sou pertencente ao mundo, descobrir e reinventar é meu propósito de vida, transcender é uma meta.