Como você vê Jesus fisicamente?

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Certa vez, numa das visitas aos hospitais, como anjo da guarda, um paciente que acreditava que eu via Deus, fez-me a seguinte pergunta:

“Como você vê Jesus fisicamente?”

Eu respondi: “As pessoas nos mostram uma aparência física, mas, quando fecho os olhos, não consigo decifrar o rosto de Jesus, apenas a essência completa do espírito: bondade, misericórdia, paciência, paz.

Mas, uma vez, eu disse que Deus poderia nos surpreender apresentando-se na forma física que não esperávamos: negro, paralítico, cego, frustrando aqueles que discriminam cada ser considerado imperfeito para o social.

O paciente continuou o diálogo: “Um dia desses representaram Jesus Cristo negro, e não foi muito aceito pela maioria. Como a rejeição foi acentuada, trocaram-no por um ator de pele branca. Essa atitude discrimina Jesus também, pois não está escrito que Jesus é belo”.

Indaguei: “Não? E como Ele é?”.

O paciente acrescentou: “Leia Isaías 53”.

“… Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo. Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento e experimentado na dor; como indivíduo de quem a gente esconde o rosto, ele era desprezado e nem tomamos conhecimento dele…” (Isaías 53- 2,3).

Fiquei a refletir sobre a passagem bíblica. E observei que já foram relatadas e desenhadas várias faces de Deus. Mas, em nenhuma delas, o Cristo apresentava-se nas imagens que os filmes nos revelam.

 

O TESTEMUNHO

Certa noite, eu vivi um momento diferente de todos e ainda hoje me pergunto: “Foi visão ou sonho?”.

Tudo aconteceu no leito do nosso quarto de casal, já tarde da noite, onde dormia eu e meu esposo.

Deixe-me descrever o local para que possam entender-me: “O nosso quarto interligava-se ao dos nossos filhos por uma porta na parede divisória. Nossa cama ficava numa posição em que eu conseguia ver meus filhos durante a noite. Como uma mãe preocupada, vigiava-os na madrugada”.

Toda noite, numa ação rotineira, deitada com o rosto em posição oposta ao quarto dos meus filhos, viro-me a fim de vigiá-los. Uma força amedrontadora surpreende-me, devolvendo o meu corpo para a posição anterior sem deixar que eu veja meus filhos. Faço diversas tentativas e nenhum sucesso. Fico cansada, assustada, até perceber que o mal estava ali. Orei o Pai Nosso, clamei ajuda: Pai, deixa-me ver meus filhos. Não os afaste de mim”. No meu pensamento, vinha o meu primeiro filho.

Ao pedir misericórdia, consigo direcionar o meu rosto para a porta que liga os dois quartos e vejo “uma mão que se estende até a mim”, convidando-me à levantar.

O homem estava de lado, cabelos grandes até o ombro, roupas longas, como as da época de Cristo. As roupas eram muito brancas que impediam de ver os detalhes do seu rosto.

“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavanderia do mundo as poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés que conversaram com Jesus (Marcos 9- 2,4).”

O homem, que acredito ser Jesus, segurou minha mão, e entrou no quarto dos meus filhos comigo. Ao entrar, já não estava no quarto, mas em uma enorme sala que ficava bem ao alto de uma cidade. Podia-se ver a natureza e uma vida em baixo, pois a sala era toda cercada por vidros. Estilo moderna.

Acompanhando-me estava meu esposo que parecia adormecido.

À minha frente, uma mesa grande. Sentados estavam alguns homens, ou conselheiros, ou esclarecedores. Bom, sei bem que recebiam pessoas.

“O que diferenciava esta imagem do sonho é que as pessoas ao redor da mesa, vestiam-se com roupas atuais e o ambiente era bem futurístico!”              

Aproximei-me, sempre com meu esposo ao lado, e ouvi uma idosa perguntar ao homem negro sentado no centro da mesa: Eu morri?”. O homem respondeu: Viva para Deus. Então imaginei que eu poderia estar no céu.

Logo todos começaram a sair da sala. Eu cheguei mais perto do homem negro e beijei as suas mãos como pedido de benção. Achei que ele fosse Deus. Ele sorriu, pegou seu paletó, vestiu-o e retirou-se. Eu dirigi meus olhos para ele como se perguntasse se ele não iria falar algo para mim. Com  seu olhar,  respondeu-me: “Alguém importante quer falar”. Assim, todos se retiraram da sala e uma voz começou a falar-me.

Era “Meu Pai, Nosso Senhor ! Deus!”.

Ao som da voz, escritos passavam acima das vidraças que cercavam o ambiente. Os escritos descreviam toda a minha missão de vida. Sei bem que sofri em alguns momentos e alegrei-me com outros. Percebi que tinha muito que melhorar, alcançar e precisava de foco. Como uma sessão coaching, Ele, Deus, estava sendo meu coach no momento!

Ao acordar, estava com o corpo virado para a porta do quarto dos meus filhos, levantei-me e fui apreciá-los: “Obrigada Senhor”.

Seu rosto? Não sei decifrá-lo.

A luz ofuscava minha visão!

Algo extraordinário e pleno me completava!

E você?

Já viu Jesus pessoalmente?

 

Adriana Kally – Filósofa, Coach Professional and Personal, Palestrante.

 

 

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